Portal NO1 .: tecnologia .: 12:02 - 02/07/2009

Projeto "materializa" imagens de bebês
Ressonância e tomografia ajudam a criar modelos de feto em 3D. Designer brasileiro apresentou técnica em Londres

Um brasileiro criou uma técnica que permite que mães e pais possam não só ver, como também tocar e sentir modelos de tamanho real de seus bebês que ainda nem nasceram.

O designer carioca Jorge Roberto Lopes dos Santos desenvolveu o projeto, que alia exames de ressonância magnética, ultrassonografia e tomografia computadorizada. Depois, as imagens captadas são transformadas em modelos matemáticos e, no último passo, viram modelos 3D com a chamada prototipagem rápida, que é a tecnologia para impressão tridimensional.

Utilizando programas específicos como o 4D View e o Mimics, Lopes dá forma aos modelos 3D de fetos, que são impressos, camada por camada, em resina fotossensível e um composto a base de gesso.

Até o momento, já foram estudados no Brasil e no Reino Unido cerca de 50 casos clínicos que geraram modelos específicos em tamanho natural. E muitos deles foram mostrados por Lopes durante a apresentação de seu projeto na Royal College of Art (RCA), em Londres, na última sexta-feira (26).

"São culturas diferentes também em relação à gravidez. Enquanto no Brasil o foco principal é tentar fazer com que mães e pais compreendam alguma malformação de seus bebês, no Reino Unido os modelos são usados para incentivar o apego da mãe em relação ao filho", explica Lopes.

Pesquisador do Ministério da Ciência e Tecnologia e professor do Departamento de Artes e Design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Jorge Lopes tem como orientadores em Londres Hilary French, diretora da Escola de Arquitetura e Design de Produtos da RCA, Ron Arad, um dos mais famosos designers do mundo e chefe de Design de Produtos na RCA, e Stuart Campbell, chefe de obstetrícia da King"s College e pioneiro na utilização do ultrassom na década de 1980.

Antes do Reino Unido, a técnica já vinha sendo testada no consultório do especialista em medicina fetal Heron Werner, no Rio, surpreendendo as futuras mamães. "A reação das pacientes é de grande surpresa, pois estes modelos são muito mais nítidos e reais do que uma simples imagem de ultrassonografia 3D ou imagem da ressonância magnética", compara o médico.

"Imagine o impacto de um protótipo de um feto de uma gestante com deficiência visual. Ela tendo a chance de tocar e sentir as feições de seu filho. Realmente, isto tudo não deixa de ser um grande avanço", comemora Werner.


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