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educação .: 11:49 - 05/03/2010
Jovem é discriminado, mas não percebe
Unicef divulgou levantamento inédito sobre percepção de adolescentes e lideranças populares sobre suas condições de vida

Em uma escola pública na Barra Funda frequentada por brasileiros e bolivianos uma cena se repetiu quase diariamente no ano passado: a cada aluno estrangeiro que chegava, um brasileiro cobrava um "pedágio". Caso não fosse pago, o boliviano inadimplente apanhava.

O relato foi feito por João Carlos Cardoso, 17, ex-aluno da escola e integrante do projeto Plataformas dos Centro Urbanos, do Unicef, que divulgou na quinta-feira (4) um levantamento inédito sobre a percepção de adolescentes e lideranças de comunidades populares sobre suas condições de vida.

Segundo ele, a maioria dos alunos não percebia a discriminação. Esse não é um caso isolado. Conforme o estudo, 32% dos adultos ouvidos avaliam o respeito à diversidade nas comunidades ruim ou péssimo.

Realizado a partir de uma metodologia participativa desenvolvida pelo Instituto Paulo Montenegro (braço social do Ibope) - que fez dos próprios integrantes das comunidades entrevistadores - o estudo ouviu 2.148 pessoas de 55 comunidades (favelas, assentamentos, cortiços) de São Paulo e Itaquaquecetuba.

Foram aplicados dois questionários sobre os mesmos temas (um para lideranças e outro para os jovens) com questões afirmativas com as quais os entrevistados poderiam concordar ou discordar.

Quando deparados com a afirmação de que os episódios de racismo eram raros e combatidos, a maioria das lideranças discordou. Já a maioria dos adolescentes diz ser respeitada pelos jovens da comunidade.

"Os adolescentes mostram uma predisposição maior com o diferente. Mas isso não significa que eles não têm preconceito ou não excluem", observa Anna Penido, coordenadora do Unicef em São Paulo.

Cleber de Souza, 18, morador de Guaianazes, é um exemplo. Quando os colegas descobriram que sua família é espírita, virou alvo de chacotas. "Me chamaram de neguinho macumbeiro", diz o estudante.

A participação dos adolescentes nas decisões da comunidade também causa divergências. Os adultos reclamam que os jovens não participam; estes garantem que fazem sua parte.

Para 44% das lideranças, a participação dos jovens é ruim ou péssima. Já entre os adolescentes, a maioria afirma participar de ações para tornar melhor a comunidade e diz querer votar nas próximas eleições.

Violência

Dos seis temas abordados com as lideranças (sobrevivência, aprendizagem, proteção contra HIV/Aids, violência, respeito à diversidade e prioridade em políticas públicas, e participação), o que teve pior avaliação foi a violência. Para 58%, a segurança nas comunidades é ruim ou péssima; 32% acreditam que a situação piorou nos últimos dois ou três anos. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.


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