A 20ª edição do Fashion Rio, temporada outono/inverno 2012, começa nesta terça-feira (10) em clima de nostalgia carioca.
Em busca de uma imagem "tropical-chic" de exportação, o evento escolheu como tema da edição uma frase que lembra os títulos dos sambas-enredo de Carnaval: "Sou Rio, essa bossa é nossa".
"A bossa nova sempre foi sinônimo de sofisticação", diz o pintor e designer gráfico Cesar Villela, que terá 20 de suas icônicas capas de discos de grandes nomes do movimento expostas no evento.
A mostra exibirá o total de 55 capas de disco transformadas em painéis gigantes. A curadoria e a pesquisa são de Charles Gavin, dos Titãs.
Trata-se de um panorama da influência do design gráfico na estética imortalizada em discos de MPB das décadas de 60 e 70.
O foco é a bossa nova e, sobretudo, as capas de álbuns lançados pela gravadora Elenco, assinadas por Villela, entre elas, "O Amor, o Sorriso e a Flor", de João Gilberto, e títulos de Baden Powell e Vinicius de Moraes.
"Nas capas que criei, optei por uma estética minimalista, que tinha tudo a ver com a ideia de elegância da bossa nova. Eu traduzi isso em pouca cor, alto contraste e poucos detalhes", diz Villela.
Segundo o artista, no início dos anos 60 as vitrines das lojas eram um dos únicos canais de divulgação dos lançamentos musicais.
As capas, em geral, eram bastante coloridas e cheias de informação, até a chegada da estética bossa-novista criada por ele. "Para chamar a atenção no meio daquela confusão, optei por limpar tudo. Foi uma novidade um artista brasileiro se apresentar dessa forma", afirma.
Villela diz, no entanto, que a estética minimalista que tanto agradou aos jovens da época, tanto na música quanto no visual, virou suvenir.
"Hoje em dia a bossa nova é para elites e turistas que vão atrás de música brasileira. A juventude carioca não consome mais essa informação, que concorre com o funk."
Depois do fim do evento, Villela fará uma mostra de pinturas na sede dos Correios do Rio de Janeiro.
Mobiliário
O Fashion Rio terá ainda uma exposição sobre o trabalho do arquiteto e designer Sérgio Rodrigues, com curadoria de Mari Stockler.
A exposição contará com móveis que integram o acervo pessoal do arquiteto.
A mostra terá objetos como uma caderneta escolar, cartas, fotos da infância e maquetes de casas projetadas por Rodrigues.
Parte da entrevista feita por Mari Stockler com o arquiteto foi transformada em um vídeo, no qual o designer aparecerá contando histórias de sua vida.
O evento acontece até o próximo dia 14, e tem como destaques de moda desfiles de grifes como Cantão, TNG e Maria Bonita Extra. As informações são da Folha.com.