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teatro .: 11:53 - 02/03/2010
Falta de memória na era digital
José Sanchis Sinisterra está de volta 2ª direção com atores brasileiros, com seu texto "Flechas do Anjo do Esquecimento"

Agência Estado

Nascido em Valência, autor de mais de 30 peças que já lhe valeram os mais importantes prêmios do teatro europeu, muitas delas traduzidas e encenadas em países como França, Itália, Inglaterra e em quase toda a América Latina, o dramaturgo e diretor José Sanchis Sinisterra está de volta ao País para sua segunda direção com atores brasileiros, desta vez de seu texto mais recente, "Flechas do Anjo do Esquecimento", cuja primeira encenação ele próprio dirigiu em 2004, em Barcelona.

Tendo a memória, ou sua falta, como tema, "Flechas" estreia nesta terça (2) no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, com elenco de sete atores, entre eles intérpretes experientes como Kiko Marques, Virginia Buckowski - que também estão no elenco de "A Alma Boa de Setsuan" protagonizada por Denise Fraga - Patricia Gordo e ainda Gabriela Fontana, Alejandra Sampaio, Willians Mezzacapa e Eveline Maria. Na equipe técnica, artistas de primeiro time como o iluminador Guilherme Bonfanti e o sonoplasta Raul Teixeira.

Numa tarde de ensaio, Sinisterra conversou com a reportagem sobre o espetáculo. "É uma peça sobre a memória a partir da história de uma jovem com amnésia. Naturalmente não é uma história particular, mas é preciso partir do individual para falar do coletivo", argumenta. A peça se passa num futuro próximo e a ambientação inicial é uma espécie de clínica, uma instituição na qual a jovem está internada. "A amnésia, muito em breve, será uma doença crônica. Vivemos num sistema que fabrica náufragos identitários", afirma.

"Há uma relação estreita entre memória e identidade. Somos aquilo que fomos, o que recordamos ter ou não sido, o que vivemos ou acreditamos ter vivido. Numa sociedade de estímulo ao consumo permanente, que se alimenta de oferecer novidades inúteis, há uma desvalorização e até falsificação do passado. Bem sabemos ao que isso conduz. O passado funda o presente e impulsiona o futuro - ou o impede." Em síntese, a memória, que sabidamente é construção, pode ser destrutiva. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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